A “CULPA” DE SER MÃE

Quando o bebê nasce, nós mães ganhamos muitas coisas: felicidades, um amor incondicional, carinhos, paparicos, flores, muitos presentes, além de um lindo filhotinho pra cuidar e amar…e junto com tudo isso: a CULPA.

Ela é nossa companheira desde os primeiros minutos após o nascimento do bebê: sentimos culpa por não ter chorado, ou por ter chorado muito, por estar meio sedada e não conseguir nem sorrir pro rebento que acabou de vir ao mundo, culpa pelo parto não ter sido como imaginávamos, pelo bebê ter nascido grande ou pequeno ou por não termos conseguido ser fortes no momento do parto.

Depois vem a culpa por não conseguir amamentar, ou por conseguir, pelo filho ganhar peso demais ou por não ganhar, pelo filho ser chorão e não dormir a noite, por se sentir irritada e cansada quando deveria estar feliz, por chorar quando deveria apenas sorrir.

E quando acaba a licença-maternidade, A CULPA tende a aumentar: culpa por introduzir alimentos antes do nescessário, culpa por sair de casa e deixar seu filho com outra pessoa, ou ainda, culpa por optar por não trabalhar e não poder ajudar o marido com as despesas da casa.

E assim por diante, até o filho fazer 18 anos e chegar de madrugada em casa. Ou ainda brigar com a namorada. Ou pegar o carro escondido: a maioria das mães vai sentir culpada por isso também.

Até as mães ditas muito bem resolvidas que honestamente não sentiram nenhuma dessas culpas, devem, no fundo, sentir uma pontinha de culpa justamente por não se sentirem culpadas pelas frustrações e dificuldade pelos quais seu filhos passam.

Acontece que passar por algumas dificuldades e frustrações é passo obrigatório no desenvolvimento da personalidade do ser humano. E por mais que nós tentemos proteger nossos filhos, nãopodemos e nem devemos protegê-los de tudo. Eles tem que crescer, e para isso vão se frustrar e vão sofrer em alguns momentos.

Então, de onde vem essa nossa culpa? Ela é inerente a maternidade ou é fruto de imagem vendida pela nossa sociedade da MÃE MODERNA PERFEITA? Ela é uma mulher linda que tem seus filhos todos de parto normal sem dor, que amamenta facilmente e sem dor,que no dia seguinte ao parto já está magra e bem disposta, cujo filho é comportado desde os primeiros dias e se ela teve que acordar alguma vez de madrugada, o fez sempre de bom humor e sem um fio de cabelo despenteado. É a mãe que trabalha fora e é uma profissional conceituada e atualizada, que tem um excelente salário, que consegue dar atenção merecida aos filhos e ao marido, sempre de bom humor, que tem tempo pra ir a academia, cabelereiros e faz sempre um dieta saudável e equilibrada. E faz tudo isso sem reclamar, sem se cansar e se sente completamente feliz 100% do tempo.

Me desculpem: mas essa é a mãe ideal…que não existe. A mãe real é como todas nós: sempre se desdobrando em 10 e sempre com a sensação de que não vai dar conta de tudo.E sempre atormentadas pela nossa antiga companheira, a CULPA. A melhor analogia que encontro é com aquela velha história do cobertor curto, que, para cobrírmos uma parte, acabamos descobrindo a outra.

E no final, tudo dá certo, nossos filhos crescem e se desenvolvem apesar dos nossos acertos e erros e se tornam pessoas diferentes de nós, amadas sim, muito, mas diferentes. Pessoas que pensarão diferente e discordarão de nós em vários pontos. Podem até nos culpar por isso e por aquilo, mas nunca vão ter a noção de quanto nós mesmas já nos culpamos.

Por fim, visto que toda essa culpa é desnecessária e até nociva, talvez devessemos começar a deixá-la de lado, pelo menos um pouco, e nos concentrarmos em sermos felizes, com as nossas imperfeições.

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17 Respostas to “A “CULPA” DE SER MÃE”

  1. Gisele Says:

    Amiga, amei o texto! Meu bebê ainda não nasceu mas já passei por vários momentos de culpa relacionados a ele.
    Deve ser muito difícil criar filhos para o mundo mas com certeza é o que de melhor podemos fazer.
    Beijinhos

  2. Barbara Says:

    Amiga,
    vc conseguiu traduzir muito bem o que é ser mãe. Realmente a culpa é inerente a mulher que se torna mãe. Ainda na gravidez já senti culpa por algumas coisas e tenho certeza que a volta ao trabalho é um mometo de extrema ansiedade e muita, muita culpa.
    Aceitarmos que a mãe perfeita não existe é fundamental, embora bastante difícil. Só assim poderemos ser felizes com nossos bebês, sendo o melhor que podemos ser… que está longe da perfeição.
    Beijos

  3. Erika Says:

    Paulinha, perfeito seu texto! Eu me sinto culpada por tantas coisas, é uma lista infinita, por trabalhar e não estar presente em tempo integral, por não ser rica e não poder dar o ‘mundo’, por mimar demais, por as vezes dar bronca, pela dor da vacina e por tantas outras coisas… enfim, isso é ser MÃE! Parabéns pelo texto. Beijos

  4. spp Says:

    Adorei o teu texto, é mesmo assim tudo nos tormenta, a responsabilidade é tao grande que nos ocupa a nossa mente e não damos conta da parte positiva de ser Mae.
    Beijinhos
    Spp

  5. Cami Says:

    Oi amiga!

    Amei o texto!! Adoro tudo que escreve pq é sempre muito verdadeiro!

    Eu já sou uma pessoa que se CULPA por tudo sem ser mãe…fico imaginando com meu filho como vai ser!!

    Preciso aprender a relaxar e dar o melhor de mim sem culpas!!

    bjocas
    Cami

  6. Flavia Bernardo Says:

    Paulinha, amei o texto!!!
    que bom que voltou a blogar.
    Beijos em vc e na Sofia.
    Flavia

  7. Renata Rainho Says:

    Nossa PAulinha seu texto é bem real parabéns.
    Estou num momento que vc não citou no seu texto, mas te digo que dá a maior CULPA: mudo ou não de casa pra ficar mais perto do colégio do enteado.
    Agora no inverno não dá pra negar que bate uma culpa enorme tirá-lo da cama mais cedo.
    bj

  8. Julia Says:

    Amei seu texto!!!!!!!!!!!!!!
    Realmente a Culpa faz parte de todas que passam a ser mães, a maior culpa que sinto é por não ter conseguido amamentar, meus seios racharam de mais, saiam até pequenos pedaços no banho, e eu não consegui ir até o fim……….Meu bebê não conseguia sugar tbm, e o leite foi secando!!!! Mas hoje ele está forte e é muito saudável!!
    E a Culpa continua ao meu lado, voltei a trabalhar e morro de saudade dele!!!

  9. Niedja Says:

    Bom dia! Faltam poucas semanas (2 ou 3) para o meu terceiro parto. Vc deve imaginar quantas lágrimas me rolaram pelo rosto enquanto lia seu texto. Perfeito!!! Só uma mãe para entender a outra. Só uma mulher para entender outra. Só alguém sensível para traduzir esta bênção que é conceber, gerar, trazer ao mundo e cuidar de criaturas tão maravilhosas que são os nossos filhos, embora este processo nos traga tantas dores físicas e, principalmente, emocionais. Sonhei por cerca de 15 anos em ter 3 filhos dentre eles pelo menos um menino. Deus, agora, completou minha bênção. Estou muito feliz nesse paraíso chamado maternidade. Que Deus te abençoe.

  10. Michele Says:

    Seu texto me comoveu. Você conseguiu, em detalhes,expressar todo o nosso sentimento de “culpa” em ser mãe. Parabéns !

  11. Saionara Says:

    Também gostei de seu texto, é uma constatação real, nós mães muitas vezes nos sentimentos exatamente como você descreve. É interessante como nos culpamos de coisas que estão além do nosso controle. Aliás, não temos controle sobre os fatos da vida, não temos controle de nada… vivemos a desejar coisas e a agir para que aconteçam. Mas não sabemos o que será.
    Há uma indisfarçável arrogância nossa em nos culparmos por tudo, talvez, porque assim nos sentimos poderosas, imprescindíveis… só nos culpamos daquilo que achamos que está em nossas mãos… Viver o agora, sem culpas, é admitir que o instante é precioso, mais que a própria vida. Um beijo e obrigada pela oportunidade de expor minha opinião sobre o assunto. Parabéns pelo blog!

  12. Andrea Says:

    Simplesmente Maravilhoso . Verdadeiro
    Lindo

  13. Daniela Says:

    Venho aqui dar meus parabéns pelo blog, estou gravida de 18 semanas e começei a escrever também para guardar esses momentos.
    Gosto muito de te ler por que fala com muita sinceridade sobre assuntos não explorados na mídia. É papo de mãe para amiga 🙂
    Sei que tenho muito que aprender e tem me ajudado bastante. Quando quiser nos visite também.

    Bjs e parabéns pela sua filhinha linda!
    Bjs
    Dani

  14. Aline Says:

    Olá! Eu não te conheço,mas achei seu blog “fuçando” na net…
    Achei tudo muito lindo, e me emocionei em algumas partes.
    Estou grávida de 2 meses, já perdi um bebê em uma primeira gestação, e ler seu blog me fez muito bem…ver que não su só eu que fica confusa e com medo de tantas coisas!!!!
    Parabéns pela Sofia, que Deus a abençõe!!!!!
    Bjo

  15. Izabella Says:

    Olá,
    Adorei o blog. Estou gravida de 07 semanas e até agora estava meio anestesiada, medo de sentir felicidade e acontecer alguma coisa com o bebe, medo de pensar no futuro proximo. Mas a leitura do blog me fez sentir superbem, com mais contato com a realidade da futura mãe. Obrigada, Izabella

  16. Tidi Says:

    Adorei! Me vi em todas as palavras! Como é possível alguém saber o que sinto nos mínimos detalhes! Hoje passo pelo controle esfincteriano… e já sinto muita culpa! parabéns pelo texto. Beijos…

  17. Glauciane Says:

    Nossa vc relatou exatamente o que estou sentindo e passando como mãe de primeira viagem do Miguel Arthur de 2 meses. Foi por acaso que achei seu blog mas valeu apena, me deu um conforto a respeito do meu bebê “chorão”, e sobre os comentários dos bebês da fulana e da cicrana que são bonzinhos…kkk. Felicidades pra vc e sua familia, espacialmente pra Sofia!

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